BATALHA ESTELAR, de J. Modesto

 

 

 

           Com um leve movimento, o Guerreiro fez seu caça estelar virar para a esquerda, logo após deixar o hangar do imenso Cruzador, mergulhando na batalha que se desenrolava no espaço. Imediatamente, o planeta Centurião IV surgiu em seu campo de visão com toda a sua exuberância, enquanto sucessivas explosões aconteciam ao seu redor. A contenda pelo domínio daquele sistema planetário estava se mostrando extremamente difícil, pois os adversários da Federação de Planetas Unidos eram habilidosos e muito astutos. Nenhum humano jamais vira um Cencconiano, nome dado a raça alienígena que agora combatia.

            Com movimentos rápidos e precisos, o Guerreiro abateu várias naves inimigas, mas parecia não surtir efeito, pois, para cada nave que era destruída, tinha a impressão de que outras duas surgiam. De repente uma voz conhecida surgiu no seu comunicador, informando que um caça inimigo estava em seu encalço, o que o preveniu do ataque iminente, ajudando-o a desviar-se do raio destruidor. Com uma manobra surpreendente e circular, posicionou-se atrás do inimigo, pulverizando-o.

            Mal havia se livrado de seu oponente quando algo explodiu do seu lado direito e seu caça estelar começou a agir de forma descontrolada. Fora atingido na asa e os propulsores direcionais, daquela região, responsáveis pela dirigibilidade da nave, haviam sido destruídos. Segurando os controles com força e tentando manter-se calmo, analisou rapidamente sua situação. Teria que pousar ou não duraria muito tempo naquele inferno bélico. Se com um caça em boas condições já era difícil combater os Cencconianos, seria praticamente impossível sobreviver naquelas condições. Verificou suas opções e, de imediato descartou o retorno ao hangar do Cruzador, pois, naquele momento, ocorria confrontos no espaço entre ele e a astronave. Sua única saída era rumar para o planeta à sua frente e tentar um pouso forçado. Apertou alguns botões no seu painel de instrumentos e as informações visuais surgiram num pequeno holograma, enquanto uma voz mecanizada invadia a cabine, passando-lhe todos os dados conhecidos sobre Centurião IV.

            Apesar de ser um planeta inóspito e de paisagens desérticas, sua atmosfera era composta basicamente de oxigênio, respirável para os humanos. Sem pensar mais, tomou sua decisão, afinal, dos males o menor.

            Com grande dificuldade posicionou o Caça em direção ao planeta vermelho quando um disparo inimigo passou próximo do bico frontal de sua nave. Sua situação acabara de piorar. Era um caça inimigo que vinha em sua direção. Mais um disparo e certamente seria transformado em “poeira cósmica”. Ele não era propenso a rezar, mas naquele momento, a única coisa que poderia salvá-lo era um milagre e ele não hesitou.

            De súbito, uma voz amiga surgiu em seu comunicador anunciando a presença de um companheiro, que vinha em seu socorro. Com disparos precisos, o amigo atingiu a nave adversária, causando-lhe danos consideráveis. Comunicando-se com o outro caça, o guerreiro preparava-se para agradecer a ajuda quando o caça Cencconiano, mesmo gravemente atingido, disparou, atingindo seu adversário que explodiu. Era impressionante como aqueles malditos alienígenas continuavam lutando, mesmo quando as chances de vitória eram praticamente nulas.

            Acionando seus propulsores restantes, o Guerreiro partiu o mais rápido que pode em direção ao Centurião IV, mas não antes de verificar que o caça inimigo o seguia, também com dificuldades. Fazendo manobras evasivas, na tentativa de dificultar a pontaria Cencconiana, o Guerreiro ganhou distância e penetrou na atmosfera do planeta vermelho.

            Fazendo uma varredura, verificou que a superfície era irregular, composta basicamente de montanhas rochosas e desertos áridos. Rapidamente localizou uma pequena planície, suficiente para o pouso de emergência, e aproximou-se com dificuldade, lutando para controlar o caça. Pouco antes de tocar o solo, levantou o bico frontal da nave preparando-se para pousar de barriga uma vez que os trens de aterrisagem eram projetados para descidas verticais, o que se tornava impossível com os propulsores direcionais inoperantes de um dos lados. Os segundos que antecederam ao pouso pareceram uma eternidade até que a fuselagem do caça tocou o solo alienígena e ele deslizou por vários metros, em meio ao caos que se formou.

            Gradativamente, os acontecimentos e sons a sua volta foram se amenizando até que o silêncio se fez presente. Diminuindo a tensão com que se agarrava aos controles, agora inúteis, o Guerreiro Estelar respirou fundo e relaxou. Momentos depois, já se encontrava fora da espaçonave, procurando reconhecer o território e analisar suas chances de sobrevivência naquele mundo hostil. Vasculhando visualmente o horizonte ao seu redor, avistou um rastro de fumaça negra que cortava o céu, indo cair por detrás de um conjunto de montanhas rochosas. Foi neste momento que ele lembrou-se do caça inimigo. Muito provavelmente o Cencconiano tivera o mesmo destino que o seu. Imediatamente, sua preocupação com a subsistência desapareceu, cedendo lugar à necessidade de combater o inimigo Cencconiano.

            Entrando, novamente, no caça, apanhou sua arma e partiu em direção ao local onde supostamente a nave havia caído. Em pouco menos de uma hora de caminhada, o Guerreiro Estelar chegava a um elevado rochoso de onde podia avistar claramente o transporte alienígena, gravemente danificado. Aproximando-se com cautela, penetrou nos destroços, chegando a cabine de controle onde, admirado, avistou o corpo, sem vida, de um Cencconiano. Era alto tão medonho que, no primeiro momento, ele recuou. Todavia, o fato de estar armado e do inimigo, aparentemente, estar morto, deu-lhe mais coragem para se aproximar. Foi neste instante que percebeu um outro espaço, semelhante ao qual se encontrava o alienígena morto, vazio.

            Existe outro!”, foi o pensamento que lhe invadiu. “Os caças Cencconianos são tripulados por dois!

            Nem bem o Guerreiro Estelar percebera sua real situação, uma dor dilacerante atingiu-o nas costas. O ar lhe faltou e, saindo de seu abdômen, pode visualizar um imenso tentáculo movendo-se. Imediatamente reconheceu aquilo que lhe transpassara como sendo um dos estranhos braços pertencente ao inimigo. Sua visão começou a escurecer rapidamente enquanto seus ouvidos captaram a respiração pesada e ritmada vinda de algum ponto atrás de si.

            – Droga, Seu Manoel! Me dá outra ficha que perdi de novo! – disse o garoto largando o Joystick.

 

fim

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~ por jmodesto1 em 26 setembro, 2008.

Uma resposta to “BATALHA ESTELAR, de J. Modesto”

  1. Confesso que ao começar a ler as comparações com Guerra nas Estrelas eram inevitáveis, mas rapidamente essa impressão me abandonou e por ser um conto, meio muito rápido de transmitir a estória, acabei surpreendido pelo final inusitado. Ficou um gostinho de quero mais….

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