O VAMPIRO DA ESCADARIA, de Lord A

•7 novembro, 2009 • 3 Comentários

ESCADARIASÃO PAULO, quando (ainda) era da garôa…

Eu era menina, ainda trabalhava nos lugares de jogador lá do centro. Limpava as latrinas, servia bebida pros perdidos e pros desandados da vida. Depois tinha que voltar rápido na noite pro casebre onde morava com meus irmãos, o papai e a mamãe. Dava medo andar no vale do centro de madrugada, por que lá era lugar de coisa ruim e de sortilégio. Saía do botequim,  andava no meio dos prédios escuros, descia a ladeira e tinha que subir uma escadaria de mármore para sair do outro lado do vale. Valia-me da minha fé e dos meus santos.

Lembro que tinha um flautista que tocava no final da escadaria, muito tempo atrás. Tempo de garoa, quando o vale era escuro e lugar de coisa ruim como falava o caboclo matuto. Tocava sua flauta, tocava triste, mas tocava bonito e muitos daqui e de lá vinham ouvir sua música. Vinham as moças-dama que não eram prendadas, gente sabida do centro e até do Brás. Ele tocava de noite, meia noite, hora de ronda e hora de magia da última sexta-feira do mês.

Ele descia a escadaria de terno branco, lírio em flor. Vinha quando já era noite, noite bonita. E embaixo dos arcos, tocava para quem quisesse ouvir. Os meninos da rua, que vadiavam por ali e dormiam em qualquer canto que fosse canto, falavam que seus olhos eram cor da prata. Cor de lua cheia. Seu rosto ninguém via não, era como lua negra, lua escura. Era o que falavam quando a gente servia a sobra das comidas para ele no beco dos fundos do botequim.

Eu via gente bonita que corria dos quatro cantos para ouvir o flautista da escadaria tocar. Cães silenciavam seus berros e vinham ali pastorear. Os gatos vinham da kalunga menor, do meio da consolação atraídos pela melodia. Ficavam ali, deitados no mármore ouvindo. Tinha um gato preto, grande e gordo, que ficava ali sentado na estátua de ferro, tomando conta de todos, só na vigília. Eu saudava sua força, sabe! Parecia chefe de todos os gatos!

Naquela madrugada só veio uma moça, bonita e de escarlate, ver o flautista tocar. Era faceira, o escarlate de seu vestido parecia ruborosa rosa de cruzeiro já em flor. Pele marmórea que parecia deusa de além dos mares e olhar de fogo, escondido sobre o cacheado negro dos cabelos.

Terminado o tocador, ela o chamou. Baixou ventania forte na escadaria que apagou os tocheiros. Os meninos correram que nem os cães na noite. Uns eram cãezinhos espertos e foram respeitadores. No breu só ouvi um guinchado pavoroso:  Issiiiiisssssssssss… Isssssssiiiiiiissssssssss… E som de vigorosas asas negras encouradas bateram e bateram, abanando toda poeira, todos os males,  todo chororô…

Quando passou a confusão e eu acordei só vi os gatos seguindo o gato preto de volta pra Kalunga menor da Consolação. Nunca mais vi flautista lá e nem moça faceira de escarlate. Bateram asas e voaram dali, voltaram pra banda de lá. Noite de última sexta-feira do mês, quando passo lá, acendo vela preta e olho para copeira das árvores. Dali do breu, sinto que sou olhada de volta, então sei que está tudo em paz.

Uma noite uns rapazes ricos e sabidos, todos embriagados tentaram me pegar lá perto da escadaria, quando eu ia de volta pro casebre da minha família. Eles queriam fazer malvadeza com eu. Eles me seguraram e me tiraram do chão…As copas das árvores perto da escadaria balançaram forte. Daí veio um guinchado pavoroso, coisa de morto, coisa do lado de lá… e eu cai no chão.

Quando acordei era de manhã cedo, seu delegado tava lá, todo de preto com todo seus policiais, só vi a carroça com os corpos dos rapazes estraçalhados, tudo sem cabeça e os corpo aberto. Os homem sabido falavam que os corpo tava tudo sem sangue e as cabeça tavam tudo amarrada nos galhos das árvores. Delegado perguntou seu eu sabia de algo, e falei que não sabia de nada e me mandei. Só vi as pétalas de rosa vermelha no final da escadaria.

Vez por outra na madrugada da última sexta-feira, gente que é sabida e gente que não é, passa lá e também acende vela preta e vermelha lá na escadaria. Uns que podem mais deixam vinho do bom lá. As moças perdidas deixam rosa vermelha e badulaques delas nos cantinho dos degraus perto das velas. Todos eles fazem conversador lá, falam baixinho e cochicham…Uns até chamam de “compadre” quando falam…Eu só sei que acendo minha vela, faço meu agradecedor e subo a escadaria logo. Ali é lugar de povo que sai voando na lua cheia e faz o que a gente não faz aqui não. Lá longe ouço os cães vadios e os meninos correndo junto no breu do vale. E tem o “Seu gato preto” que fica lá convidando e recebendo as prendas, deitado, esparramado no mármore da mureta enluarada…

fotoLordASobre o Autor: Lord A é Dj, Ilustrador, Promotor de eventos Vamps & Goths e conferencista escrevendo para sites como http://www.vampyrismo.org, http://www.redevamp.com e http://www.tribosdegaia.org. Em noites de lua cheia é um dos apresentadores do programa de rádio Vox Vampyrica (www.voxvampyrica.com). No começo dos anos 00´s participou ativamente da primeira geração do grupo Tinta Rubra como contista e às vezes como poeta – teve seus trabalhos publicados em alguns sites da época e agora retoma um pouco desta arte… Aprecia ler obras de Coleridge, Byron (de onde empresta seu “Lord”), Álvares de Azevedo, Borges, Kerouac, Neruda, Satre, Poppy Z. Brite, Anne Rice, Robert Graves, Kereny, Gaiman, Campbell, Paglia e tantos outros…

Contato: djlord_a@yahoo.com.br

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DIÁRIOS DO VAMPIRO (TRILOGIA)

•31 outubro, 2009 • Deixe um comentário

FontesLiterat

imagemTítulo: DIÁRIOS DO VAMPIRO

 

Autora: L.J. SMTH

 

ISBN:978-85-01-08615-0 
 
 Editora: RECORD (Selo GALERA) 

 

 

A Autora 

Lisa Jane Smith é uma autora americana que mora na Califórnia, seus sucessos valeram-lhe diversos prêmios e não importa quão sombria seja a obra, seus livros sempre possuem um final feliz, desde que primeiro você passe pelas TREVAS. 

A Obra 

Uma Trilogia escrita em 1991 (posteriormente a autora escreveu um quarto livro lançado em 1992), esse livro que pode ter sido a fonte  inspiradora de outros recentes sucessos, confesso, deixou a desejar… Não sei se por uma tradução nada emocionante ou falta de conteúdo do texto original. 

Transformado em seriado esperemos que a série seja melhor que o livro, se bem que suas continuações  podem suprir a carência inicial, ou seja, precisamos esperar pra ver. 

Durante a Renascença Italiana, dois irmãos, Damon e Stefan Salvatore apaixonaram-se por uma jovem e bela vampira chamada Katherine.  Mesmo o coração de Katherine sendo grande o bastante para amar aos dois, cada um tentava fazê-la sua exclusivamente. A luta por sua afeição levou à morte eventual de Katherine, o que deixou os irmãos de coração partido, imortais e para sempre rivais. 

Séculos depois, Damon e Stefan Slavatore  estão destinados a repetir a traição que os levou ao vampirismo. Eles chegam a uma pequena cidade chamada Fall’s Church, Virgínia onde seus caminhos se cruzam com Elena Gilbert, uma bela e popular garota do colegial que se parece muito com Katherine… 

Uma autora que explorou algo parecido foi Nazareth Fonseca, autora brasileira e que digo, surpreendeu ao explorar a rixa entre dois vampiros e uma mortal. 

Rossana

 

Outra deixa da mesma obra é Crepúsculo, tão aclamado pela mídia e que sinceramente explorou muito melhor o amor adolescente e vampiresco entre imortal e mortal.

 

A PROLE DE ULPIA, de Albarus Andreos

•24 outubro, 2009 • Deixe um comentário

prole ulpia     Risadas ecoavam sob o cobertor anelado de fumaça de ópio. As lâmpadas de azeite borbotavam a atmosfera amarelada e disfarçada de sombras com seu odor doce por entre trapos imundos que pendiam das laterais dos catres e canapés. No meio do salão, patrícios e escravos, homens e mulheres, entrelaçavam-se animados pela luxúria. Almofadas de seda e tecidos levantinos formavam camadas uns sobre os outros. O som das cítaras embriagava os ouvidos num repetido conjunto de acordes multicoloridos. Havia ainda o aroma da comida assada, os odores de suor e vinho misturados. Braços e pernas nuas movendo-se, iniciando entrelaçamentos íntimos. Aqui e ali, nos reservados, viam-se quadris agitados e os sussurros já se transformavam em expirações fortes e gemidos elevando-se em gritos satisfeitos dentre risos e gargalhadas temperadas a álcool. Os fedores do vômito e da urina das retretes de um cômodo contíguo vinham como tentáculos sinuosos levitando até narinas mais sensíveis

     Num dos reservados, divididos do resto do ambiente por cortinas efêmeras de gaze egípcia, um par de olhos observava a tudo com deleite. Estava acompanhado por duas jovens escravas galesas que lhe massageavam o corpo com óleo e lhe davam o cachimbo de haxixe persa à boca. Um escravo lhe trouxe então uma vasilha que depositou sobre a mesa. Sua expressão era de apreensão.

     — Conforme seu pedido, dominus.

     — Saia. — Ordenou a voz do amo.

     — Tem certeza que não quer que os leve direto para a cozinha, eles são perigosos.

     — Não vou comê-los, idiota. Agora saia.

     — Si… Sim, dominus.

     O escravo se retirou, com os olhos baixos.

     —O que é isso? — Quis saber uma das prostitutas, a mais jovem, de cabelos vermelhos, olhando melhor agora o jarro de vidro transparente em cujo interior se via um par de conchas alongadas de coloração ocre cobertas de manchas claras.

     —São cones. — disse-lhe o jovem senhor a quem prestava serviços àquela noite. — Em seu interior possuem um molusco especial, vindo das águas do Mar da Ásia.

     —Posso pegá-los? — ela riu.

     —Os olhos do homem se estreitaram. Ele sorriu também. — Sim! Pegue-os, como queira.

     A moça riu com seus olhos pesados e submissos. Seu rosto estava relaxado numa mente repleta de borboletas que se dissolviam sobre pedras preciosas rebrilhantes. Ela então começou a enfiar a mão na água. O molusco expeliu de uma cavidade uma longa prosbócide tubular que aguardava a aproximação da mão.

     A outra escrava, já quase nua dentre poucas vestes parecia ressonar, a cabeça oscilando devagar de um lado para o outro. Seu belo rosto de ninfa tinha um lânguido sorriso e era emoldurado de cabelos negros desgrenhados. Os olhos esmeralda entreabriram-se então para tentar ver os tais bichos dentro da água salgada.

     —Deixe-as ir, Glauco.

     Os dentes do jovem amo se arreganhassem num esgar selvagem que, por um instante, assustou mesmo as escravas de mentes embriagadas.

     —Ave, Décio Trianus, filho de meu pai! — A expressão do jovem suavizou-se ao perceber o cheiro familiar do homem diante dele. Tinha o rosto coberto pela sombra de um capuz largo de uma capa de viagem presa aos ombros.

     —Você me assustou, mas chegou em boa hora. Sente-se irmão. Tire a capa. Dividirei minhas mulheres contigo, como nos velhos tempos! E, veja o que tenho para esta noite: cones! Custaram-me…

     — Guarde sua droga para outro momento, irmão. Os homens de Radamanto estão vindo atrás de ti.

     O lábio inferior de Glauco tremeu.

     — Ora, irmão, deixe estes assuntos comezinhos para depois. Veja! Uma ferroada destes moluscos e viajaremos nas asas de pégaso… As ervas dos humanos não podem mais me libertar o espírito, preciso de drogas cada vez mais fortes, pois estamos cada dia mais fortes! Consegue sentir? Serpentes e escorpiões já não surtem os efeitos de antes.

     —Este lixo que usa não me apetece, você sabe. A picada teria matado a escrava. Ela estaria se contorcendo feito uma barata de cabeça esmagada, neste momento.

     —Por que tanta importância à cabeça de uma barata, irmão? É que tive a idéia de beber o sangue dela depois do veneno estar fluindo por suas veias, ao invés de tomar eu próprio a aguilhoada do bicho.

     As moças foram então dispensadas com um gesto para se servirem de outros homens à sua vontade, dentre o tumulto ritmado do meio da sala.

     —Não quer mesmo se sentar? Você está preocupado, Décio. Qual o problema?

     — Você se alimentou no território de nosso anfitrião. E estava prestes a fazê-lo ainda mais uma vez? Você é um idiota, Glauco!

     —Não seja tão rigoroso comigo, irmão. Estava enjoado de coelhos e cães… Apenas seguia meus… instintos.

     Os olhos de Décio estreitaram-se e um ruído de animal ecoou cheio de fúria em sua garganta, mas conteve sua ira olhando ainda os olhos de seu irmão sob as sombras do capuz que lhe cobria a cabeça. — Ulpia foi bem claro conosco quando saímos de Sérdica, Glauco! Não devemos caçar em território alheio, você sabe! Foi o que ele instituiu dentre os ulperates há dez anos. Cada colegiado preserva seu lugar, conforme a lei, e César nos deixa livres para viver ao nosso modo. Desrespeite a norma e teremos uma guerra aberta entre os colegiados se as próprias legiões de Roma não vierem atrás de nós.

     —Você teme a ira de Trajano? Esse… estrangeiro que…

     —Trajano nasceu em Hispania, que é parte do império romano… Eles vão arrancar sua cabeça, seu imbecil!

     — Trajano não é um imperador romano. É o que quero dizer. E eu não sou humano e desprezo as unções dos humanos por outros humanos, seja em nome de Juno ou de Hades! Deixe-os virem, irmão!

     Décio rosnou e levantou a mão, cheio de ódio. Seus dentes rebrilharam sob o capuz, arreganhados em selvagem demonstração de poder.  Um golpe seu faria seu irmão atravessar a parede até o outro lado do prédio, mas estava em local público e o pai havia proibido os ulperates de se fazerem notar tão explicitamente. Devia se concentrar no assunto que o trouxera ali.

     —Agora Radamanto é nosso inimigo, Glauco. Ele irá matá-lo. Até hoje fiz tudo que podia por você, mas chega!

     —Do que está falando irmão? Ele não nos oferece ameaça. Já nos…

     —Você estará sozinho desta vez. Estou de partida.

     Glauco levantou-se olhando para os lados, com um tremor no estômago. —E vai para onde?

     —Para a Dácia. Há uma guerra a ser vencida por lá.

     Glauco observou seu irmão partir. Ele ajudaria o império, mas deixaria o irmão resolver os próprios problemas. Que fosse embora! Décio era um homem de guerra, filho de Marte, nascido para caçar homens que pudessem se defender com uma espada e não servas indefesas inebriadas pelo haxixe. Glauco recolheu-se então em sua dor e chorou enquanto mergulhava a mão dentro do vaso de vidro e suas dores psíquicas eram substituídas pelo entorpecimento mental das aguilhoadas dos perigosos moluscos, matadores de homens. Seu veneno o deixaria entorpecido e poderia descansar um pouco de sua torpe existência.

****

     Faltava pouco para o amanhecer. Nunca compreendera por que a luz do dia lhe fazia tanto mal. Ainda era suportável, embora conjecturasse que chegaria um dia em que ela queimaria até às cinzas. Ela se tornava mais e mais causticante quanto mais aumentava seu poder, quanto mais vítimas obtinha, quanto mais discípulos sua nova raça fazia e mais ampla se tornava a nova casta criada por Ulpia, pai de Marco Ulpio NervaTrajano, imperador de Roma. Por conseguinte os ulperates eram, no mínimo, iguais a Trajano, que seu irmão seguia como a um servo. Glauco cuspiu de lado.

     Cruzou o mosaico em frente o anfiteatro construído por Nero. Trançava ainda as pernas como os homens que bebem demais, efeitos ainda da droga dos moluscos. Estava faminto. O sangue era a única bebida que o alimentava e desfrutar seu prazer era cada vez mais divino.

     —Glaucus Trianus?

     Glauco se virou. Diante dele havia um vagabundo vestido com uma capa rota. No pescoço trazia um cordão com o pingente de um peixe.

     —Você é um dos seguidores do crucificado? — a voz mal se articulava na boca do vampiro, como o bêbado que se apresentava. Seus olhos embaçados e a mente oscilando como uma galé no mar Tirreno. — Adoro sangue de cristãos!

     Os dentes de Glauco se arreganharam para o bote, mas uma pancada fortíssima veio-lhe pelas costas. “O vagabundo não deveria estar sozinho” pensou, antes de desfalecer.

****

     Acordou sem conseguir saber quanto tempo havia dormido. Diante dele havia uma miríade de homens vestidos como bons e ricos patrícios. Ao lado, três ou quatro fortes escravos cobertos de suor e sangue. Radamanto, o trácio, era o que estava diante dele. Segurava uma faca afiada.

     —Aqui finalmente encontro-me, eu ante Radamanto, tal qual Enéias quando de sua viagem com a Sibila pelos caminhos do inferno — balbuciou o vampiro, com a voz pastosa. Seu rosto estava coberto por hematomas, as costelas quebradas assim como os dedos de suas mãos. Não se lembrava de quando isso havia ocorrido, mas sentiu a dor deste suplício de imediato, ao abrir os olhos. Isso, lhe dava um prazer incerto, por lembrá-lo ainda vivo, tal qual as aguilhoadas venenosas dos cones do mar haviam feito na noite anterior. E de imediato as feridas começaram a se cicatrizar e os ossos a se juntar, como acontecia inexplicavelmente aos que eram como ele, seres da nova raça. As dores das cicatrizações eram intensas mas, a cada uma, o alívio recompensava de imediato. Sentia prazer então. Ouviu rosnados familiares vindos daqui e dali.

     —Sim, o inferno. É onde está exatamente neste momento. — disse-lhe o oponente.

     Glauco tentou livrar as mãos, mas nem com sua prodigiosa força conseguiu. Grilhões de aço prendiam seus braços numa coluna de enorme espessura sob o teto do templo de Minerva.

     —Você desrespeitou minha autoridade em minha cidade. Você morrerá por isso. Que a deusa da sabedoria dê a ti o conhecimento de teus crimes, Glauco Trianus, e que Cérbero estraçalhe tua alma maldita.

     Glauco pensou em chorar novamente… Não soube discernir o que lhe acometia. A dor e o som da faca indo e vindo em sua carne, machucando e lacerando os músculos do pescoço, os tendões se rompendo, a espinha sendo separada pela lâmina. Quase sem sangue derramado. Um quê de caldo negro e denso, apenas.

     —Quando terminar, incinere a cabeça, para que nunca mais viva,

     A dor e o prazer se prolongaram por intermináveis instantes, até que a luz se apagou.

     Para sempre.    
 Foto Albarus
 Sobre o Autor –  Albarus Andreos é Bacharel em Ciências, formado pela UNIMAR. Engenheiro mecânico pela UNESP, pós-graduado em Língua Portuguesa Voltada Para a Formação de Leitores nos Diferentes Lugares da Leitura pela UNIMEP. Autor do conto A MENINA ELFA da antologia ANNO DOMINI, MANUSCRITOS MEDIEVAIS pela Editora Andross (São Paulo, 2008). Um dos cinco premiados no concurso Moby Dick da Editora Cosac Naif em 2008; vencedor do IV Concurso de Contos da UNIMEP, 2008, tendo outros dois contos classificados em quarto e quinto lugares. Autor de A FOME DE ÍBUS – LIVRO DO DENTES-DE-SABRE, 2009, pela Giz Editorial.

DISTRITO 9

•18 outubro, 2009 • Deixe um comentário

Fontesfilmes

capa

O filme Distrito 9 chegou sem grandes pretensões, mas já está sendo aclamado pelos fãs do cinema de ficção científica. Produzido pelo já consagrado Peter Jackson (trilogia O Senhor dos Anéis) e dirigido pelo estreante sul-africano Neill Blomkamp, Distrito 9 reúne alguns dos elementos mais adorados pelos fãs do gênero, como extraterrestres e um robô gigante.

O longa estreiou aqui no Brasil em 16 de outubro, e muitos comentários e especulações estão surgindo pela Internet, além do filme, que já está sendo super comentado nos sites e blogs que falam sobre propaganda e marketing. 

A história de Distrito 9 gira em torno de uma espécie alienígena que chegou a Terra há mais de duas décadas. Sua nave permanece flutuando sobre a cidade de Johanesburgo na África do Sul, onde eles permanecem em uma espécie de campo de refugiaddistrito9_1os. Mas logo esse espaço para refugiados torna-se um campo de concentração e as coisas começam a esquentar quando os humanos decidem transferir os alienígenas para um local menor e mais afastado. O chefe dessa operação é Wilkus Van De Merwe, interpretado por Sharlto Copley, carismático, porém, atrapalhado personagem, que acaba num hospital após ser contaminado por um estranho liquido dos seres extraterrestres.

siteO filme foi bem produzido e mistura um pouco de documentário, com algumas cenas “ao vivo” e outras em preto e branco. Peter Jackson conseguiu produzir um longa interessante mesmo com a baixo orçamento (30 milhões).

Distrito 9 tenta mostra um lado humanitário, onde os humanos acolhem os seres visitantes no planeta Terra, mas como toda história do gênero, acaba com uma desavença entre as duas raças.

Entre explosões, extraterrestres, transformações bizarras (algo como o clássico A Mosca) e escravidão do povo visitante, Distrito 9 pode trazer algumas horas de diversão, mas ainda ficou um pouco aquém da grande divulgação que teve.

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O trailer pode ser conferido em http://www.youtube.com/watch?v=69utrKauwVQ&feature=player_embedded

Tiago Castro

 

 Bom divertimento e até o mês que vem!

UM DIA NORMAL DE TRABALHO E A CONSPIRAÇÃO GLOBAL, de Renato Azevedo

•10 outubro, 2009 • 3 Comentários

espaçoBLF Informática, Centro de São Paulo, 10:13 h.

             Começo de semana, Leandro e Franco em viagem, e Batista não sentia a mínima vontade de realizar qualquer esforço. Cumprimentou os funcionários ao chegar e disse que não queria ser incomodado, subindo ao último dos três andares de que dispunham no edifício.

            Nenhum funcionário sabia daquele terceiro andar. Nem muito menos que a empresa de segurança de informática na qual trabalhavam era na verdade a fachada respeitável do maior centro de informações clandestino do Brasil. A BLF prestava serviços a dezenas de empresas por todo o país, além de vários políticos graúdos de Brasília. E eram essas as fontes para o principal “produto” confeccionado ali, o newsletter clandestino O Farol.

            Batista sentou-se e checou os e-mails, dedilhando com rapidez no teclado. Para sua surpresa, o vídeo falso do tal “ET do Panamá” ainda estava “bombando” na rede. Disse:

            – Ah, mas não é possível! Deu até no Fantástico que é falso!

            Apanhou o telefone e ligou para um número. Ao mesmo tempo realizou uma busca para verificar se o vídeo do Fantástico já estava online. A amiga atendeu antes que Batista pudesse conferir os resultados:

            – Alô?

            – Cris, é o Batista. Como foi ontem no Fantástico?

            Finalmente ele achou o vídeo, enquanto a bióloga que a contragosto era consultora d’O Farol respondeu:

            – Batista, eles não me procuraram mais. Chamaram um outro cara, lá no Rio de Janeiro mesmo, você não viu no Fantástico?

            Agora ele achava o vídeo, e realmente era outra pessoa que expunha os fatos. O biólogo explicou que o cadáver mostrado no vídeo mexicano não era um ET como estava sendo divulgado, mas um infeliz bicho-preguiça em adiantado estado de decomposição.

            – É, tal como a revista OVNI havia divulgado em seu site semana passada… – disse Batista.

            – Pois é, como tem maluco no mundo, hein? – perguntou Cristina.

            – Nosso dever é denunciar o que é mentira, e divulgar a verdade, você sabe.

            – Sei… ETs que nos visitam, chupacabras, conspirações… Não sei como conseguem me convencer a colaborar com vocês!

            – Digamos que seja meu charme habitual?

            Cristina nada respondeu, e Batista percebeu que o assunto havia acabado. Antes que o silêncio constrangedor se prolongasse, ele se despediu. Cris ainda comentou:

            – Quando quiser ligar fora do “trabalho” esteja a vontade, viu?

            Ela desligou, e Batista ficou pensando. O vídeo, ao contrário de outras fraudes, chegava a ser patético. Ele e os colegas haviam conversado muito com seu amigo jornalista e ufólogo, Roberto Monteiro, e este confirmou que os membros da equipe da revista OVNI igualmente haviam sido procurados por jornalistas da Globo. O assunto já parecia encerrado na última quinta, por que ainda dar destaque no domingo seguinte?

            O Fantástico seguramente não deveria ter alguma alternativa para compor aquele quadro… Mas Batista se lembrou de haverem rastreado e-mails com o vídeo do “ET do Panamá” até endereços bem suspeitos, em Brasília e outras cidades ao redor do mundo.

            E havia, claro, os recentes fatos lá no Planalto Central, que seus colegas estavam investigando.

 Necrotério de Planaltina, 10:56 h.

             Macedo era funcionário do necrotério municipal, e não estava nada contente com a situação. Mesmo o maço de notas de 100 em sua mão não parecia ser compensação suficiente.

            O homem baixo, mas forte, vestindo um terno surrado e barba por fazer, disse as suas costas:

            – Ô, mano, tá pensando duas vezes, tá? Essa grana que pus na tua mão não foi suficiente?

            O homem por diversas vezes ficou mexendo no paletó, deixando a mostra a pistola enorme e cromada em um coldre no cinto. Macedo resolveu se mexer, abriu a porta e disse:

            – Só não quero ter problema, senhor!

            – E não terá, se manter teu bico calado, tá entendendo?

            O homem falava estranho para a idade que aparentava, mas o funcionário decidiu que não iria se preocupar em memorizar esse detalhe. Na verdade, faria questão de esquecer tudo o mais depressa possível.

            Assim que Macedo voltou a fechar a porta, Franco se pôs a trabalhar. Abriu a gaveta indicada e colocou de lado o plástico que cobria o cadáver.

            Aquele infeliz parecia literalmente haver sido comido. Marcas profundas de garras afiadas cobriam pescoço, braços e tronco. As marcas de mordidas ele só havia visto antes durante a onda de ataques em São Paulo algum tempo atrás, nas proximidades da USP e Marginal Pinheiros.

            Fotografou tudo, e ainda obteve uma amostra de impressão digital. Já sabia quem era o sujeito, e fez aquilo apenas para juntar evidências. Voltou a cobrir o corpo e a fechar a gaveta, e encaminhou-se para a saída. Nem se preocupou em despedir-se do funcionário. Sabia que ele não diria nada.

 Delegacia de Polícia de Planaltina, 11:48 h.

            Franco, depois de muita conversa e de exibir uma carteira funcional habilmente forjada, conseguiu que um dos policiais que cuidava do caso lhe revelasse importantes informações.

            O corpo, como suspeitava, havia sido simplesmente despejado em Planaltina. Amanhecera em uma praça na quarta da semana anterior, mas como a criminalidade na região era elevada, ninguém deu muita atenção ao caso.

            O policial confidenciou que outros homens que se identificaram como assessores parlamentares haviam aparecido nos últimos dias, todos querendo saber quem era o morto.

            – Olha, doutor, na minha opinião isso foi encomendado. O cara foi todo cortado para servir de exemplo, acho que algum traficante local está querendo assustar a concorrência, sabe?

             Franco agradeceu e saiu. Entrou no carro e ficou meditando a respeito.

            Sabia como operava traficantes e outros criminosos, o que não encaixava com o que sabia daquele caso. Por cima apenas um jornal local havia se ocupado do assunto. Já a informação sobre a desova do corpo parecia consistente.

            Se o quadro que já formava em sua cabeça era o correto, seria ainda mais consistente com os fatos que já conheciam. Franco não tinha mais dúvidas, outra daquelas aberrações produzidas em laboratório, que o povo havia apelidado de chupacabras, estava a solta em Brasília.

            Só precisava saber porque a vítima havia sido precisamente aquela.

Senado Federal – Ante-sala do gabinete de José Ribamar, 12:26 h.

            Leandro ajeitou o terno bem cortado e sentou-se. A recepcionista o observou, por certo achando estranho um negro vestindo Armani. Ele nem se incomodou, apanhou os fones e os colocou nos ouvidos, enquanto manipulava seu MP4.

            Aquele aparelho, na verdade, estava ligado ao sistema de segurança que a BLF Informática havia instalado no gabinete e no sistema de computadores do senador Ribamar, presidente do Senado e, como todos sabiam, virtual “dono” do Maranhão. A recepcionista passou a se dedicar a seus afazeres, enquanto Leandro ouvia as palavras trocadas durante a tensa reunião que acontecia na outra sala.

            – Se alguém voltar a tentar me sacanear, vai ver só uma coisa!

            Aparentemente, o senador Ribamar se sentia suficientemente confortável em seu gabinete para dispensar a aura de “bom velhinho” que alimentava no palanque do Senado. Leandro voltou a ouvir sua voz, carregada de sotaque:

            – O Almeida era um bom assessor, e de toda confiança. Ser morto dessa forma… quero saber quem foi o calhorda que trouxe outra dessas coisas para Brasília!

            Pela primeira vez Leandro ouviu a voz do interlocutor. Uma voz rouca que já havia sido descrita para ele em inúmeras ocasiões por seus amigos:

            – Senador, veja bem…

            – Veja bem o seu rabo! – o senador, também ex-presidente, realmente se transformava quando não estava em público. – Esse programa não tinha sido cancelado?

            – E foi, senador. Mas com tantos grupos, espalhados pelas mais diversas repartições deste país… não existe um comando central, como sabe. Então cada grupo se move apenas por seus próprios interesses.

            Silêncio por alguns instantes, até que o homem de voz rouca voltou a falar:

            – Com todos esses escândalos ocorrendo no Senado, é natural que muitos dos demais podem estar preocupados. Todos sabem o quanto o senhor está envolvido, senador…

            – Está me gozando? Querem vocês também me derrubar!? Não basta essa campanha terrorista daquele jornalzinho de São Paulo, agora vocês também?

            – Eles publicaram alguma mentira, senador? Não, claro que sabe que não! Até que o senhor e sua família moveram uma ação para censurar o jornal, e chamar ainda mais atenção.

            – O que você quer?

            Era óbvio que Ribamar não queria discutir aquele assunto. Leandro aguardou mais alguns instantes e enfim ouviu:

            – Não quero nada, senador. Digamos que foi apenas uma visita de cortesia, para informá-lo de nossos progressos.

            – Pegaram a coisa, então? Ela matou o Almeida próximo a minha mansão no Lago Paranoá. Meus seguranças atiraram, mas o bicho fugiu.

            – Ainda não, mas estamos rastreando o ser. Desta noite não passa.

            – Isso não pode chegar à imprensa, entendeu bem? Eu soube que já havia jornalistas da grande mídia vindo para investigar. Um e outro vizinho ainda abriu a boca, e custou caro pagar pelo silêncio dos outros. Deus me livre se aqueles malditos daquele jornaleco, O Farol, publicarem meu nome de novo!

            Leandro se lembrava, e como! Na última vez O Farol publicara fotos do desaparecido assessor de Ribamar ao lado de pessoas bem interessantes, o que incluía o próprio homem da voz rouca, figuras públicas envolvidas em eventos nebulosos tais como o Caso Varginha, e alguns militares de alto escalão. Aquilo comprovava o envolvimento de Ribamar com a conspiração para acobertar a presença extraterrestre.

            – O pessoal d’O Farol é profissional. São mestres em encobrir seus rastros.

            – Um dia precisamos ter gente competente no seu lugar, isso sim!

            – Não me ameace, senador.

            – Eu te criei, seu desgraçado! Não passava de um intendente de merda lá no Pará quando começaram os ataques de ovnis em Colares! Eu estava com os militares quando viram o filme da nave, eu recomendei encerrar aquela operação.

            – Os bons tempos da Operação Prato…

            – Bons nada! Não sabe o que pode acontecer com o mundo, se isso vier à tona?

            – Tanto sei que foi por isso que espalhamos aquele vídeo do tal ET do Panamá pela Internet, deu até no Fantástico! E eles estavam prontos para falar do “chupacabras de Brasília”, a morte de seu assessor, e chegar ao senhor. Tivemos muito trabalho para salvar seu rabo, senador!

            Leandro conseguiu ouvir uma exclamação de espanto, e depois entrou novamente aquela voz rouca e desagradável:

            – Infelizmente, Ribamar, você tem metido os pés pelas mãos. Sabe que quanto mais a mídia escarafuncha em suas falcatruas, maior é a chance de descobrir as ligações de “vossa Excelência” com todo o esquema. Essa foi a última vez. Está por sua conta agora.

            Leandro rapidamente guardou o equipamento, e levantou-se para servir-se de água no bebedouro. De costas para a porta do gabinete, bebeu calmamente e depois segurou os óculos escuros contra a luz.

            Pelo reflexo nas lentes viu um sujeito de aparência corriqueira, vestindo um terno barato, saindo do gabinete e indo embora. Quando ele saiu Leandro voltou a seu lugar, e finalmente a mocinha lhe disse que podia entrar.

            – Senhor Leandro, como vai?

            O jeito simpático voltou a ser exibido por Ribamar quando levantou-se e apertou a mão de Leandro. Conversaram rapidamente sobre banalidades enquanto o hacker ia ligando o laptop. A conversa gravada já havia sido transmitida para o servidor que mantinham na Capital Federal.

            – Bem, senador Ribamar, espero que esteja disposto a tratar de negócios! Como solicitado, irei lhe mostrar a última atualização em nosso sistema de segurança.

            – Isso vai proteger todo meu sistema? Inclusive celulares? O senhor sabe, como homem público, sempre estou vulnerável a todo tipo de espionagem e escuta clandestina.

            – Não tem com o que se preocupar, senador. Nosso novo sistema é o que de mais moderno existe. Claro, a menos que dinheiro seja problema…

            O ex-presidente e senador pelo Maranhão soltou uma risada, e respondeu:

            – Mas claro que não, meu amigo!

            Leandro, satisfeito mas não pelas razões de que o homem a sua frente pensava, começou sua apresentação.

Proximidades do Lago Paranoá, 16:16 h.

            Depois de alertado por Leandro, Franco passou toda a tarde vigiando as proximidades do lago. Teve o cuidado de não chamar a atenção dos seguranças das muitas mansões das redondezas. Nuvens negras se formavam no céu e escureceu tanto que as luzes dos postes começavam a se acender.

            Subitamente ele viu um furgão preto se aproximar de um matagal, ao mesmo tempo em que o som do rotor de um helicóptero era ouvido. Quatro homens penetraram na mata, e logo o som de tiros de fuzil foi percebido.

            Dois sujeitos vieram correndo, carregando um saco preto. Um outro apoiava o quarto homem, que mancava e parecia ferido. O saco foi jogado para dentro pela porta lateral e todos entraram.

            O furgão arrancou e o helicóptero afastou-se. Franco conseguiu gravar toda a cena.

 Em incontáveis caixas de correio eletrônico, 19:12 h.

 O FAROL

EDIÇÃO DE 22 DE SETEMBRO

            Caros leitores, como exposto, ficou tudo muito claro. O senador José Ribamar, um dos principais nomes no Brasil da conspiração global que controla as informações concernentes a extraterrestres, conseguiu abafar os estarrecedores fatos ocorridos nas proximidades de sua propriedade. Para tanto, seus comparsas na conspiração deram grande publicidade ao falso vídeo do chamado “ET do Panamá”, que na verdade não passa de um bicho-preguiça. Com isso, o senador logrou até mesmo ocultar a morte de um de seus mais fiéis colaboradores, já flagrado por este jornal junto a pessoas bem interessantes.

            Entretanto, o ataque do chamado chupacabras em Brasília novamente evidencia que o submundo da conspiração está em guerra. Ribamar, devido aos escândalos no Senado Federal, tem chamado muita atenção para seu nome. As gravações que dispusemos para os senhores leitores dirimem as últimas dúvidas. Sua ligação com a grande operação de acobertamento global, mais cedo ou mais tarde, será exposta, e com ela toda a verdade.

            Quanto tempo mais Ribamar poderá resistir?

Casa em algum lugar de Brasília, 20:20 h.

            – Como sempre, muita gente irá rir disto aqui.

            Roberto Monteiro, agora correspondente em Brasília, jantava com Leandro e Franco na casa que eles mantinham na Capital Federal. Leandro respondeu:

            – Mas irá “levantar a lebre”, Roberto. E como em outras ocasiões, as informações d’O Farol serão confirmadas pelos fatos.

            Roberto tirou os óculos, esfregou o rosto com as mãos e disse:

            – E eu que vim para Brasília para tentar me afastar de tudo isso…

            – Por que você acha, Roberto, – disse Franco – que Ribamar fez aquele discurso irado contra a imprensa agora a pouco? Por nossa causa! Porque estamos revelando a verdade. A gravação de Leandro fez sucesso na Internet. Imagine, flagrar o Ribamar e o rouco juntos!

            – Além de ter sido tremendamente insensato, não é mesmo?

            – Relaxe, Roberto – disse Leandro. – O Ribamar acabou de telefonar. Concordou em instalar o novo sistema de segurança. Assim, poderemos ter acesso a tudo que ele faz no Senado, repassar informações a nossos contatos na imprensa…

            – A verdade irá prevalecer – disse Franco.

            – Então, tudo isso também foi uma conspiração de vocês, para facilitar seu trabalho de espionar o Ribamar e conseguir mais informações sobre a conspiração?

            – Elementar, meu caro Roberto! – respondeu Franco.

            Leandro, normalmente o mais sisudo da equipe que publicava O Farol, não pôde evitar de, também, sorrir.

Sobre o Autor – Renato A. Azevedo é engenheiro e entusiasta da Ficção Científica e Fantasia. Foi membro do conselho editorial da revista UFO, como consultor de Ficção Científica, ciências e astronomia. Em 2001 tornou-se colaborador da revista Sci-fi New, onde foi responsável pela coluna espaço OVNI. Autor de mais de oito livros de Ficção Científica, publicou recentemente sua última obra intitulada De Roswell a Varginha, pela Tarja Editorial.

A SÉTIMA TORRE (COLEÇÃO)

•30 setembro, 2009 • 1 Comentário

FontesLiterat

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COLEÇÃO “A SÉTIMA TORRE” – 06 VOLUMES

Vol. 1 – A Queda – ISBN: 852091251-6

Vol. 2 – O Castelo – ISBN: 852091259-1

Vol. 3 – Aenir – ISBN: 852091291-5

Vol. 4 – Acima do Véu – ISBN: 852091303-2

Vol. 5 – Em Guerra – ISBN: 852091517-5

Vol. 6 – A Grande PedraVioleta – ISBN: 852091533-7  

Autor 

Garth Nix (Nasceu em 19 de Julho de 1963 em Melbourne, Austrália) é autor de livros sobre fantasia para jovens e adultos. Suas mais notáveis séries são Velho Reino (Old Kingdom, ainda sem versão em português), A Sétima Torre e As Chaves do Reino. 

A Obra 
Sua série A Sétima Torre, foi publicada em 2002 no Brasil pela Editora Nova Fronteira S.A. além de ser um grande sucesso internacional, é um achado literário. 

Misturando três elementos chaves:O Povo do Castelo (Os Escolhidos, magos de Luz e Trevas e O Povo Inferior), Os Homens-de-Gelo, Clãs guerreiros da imensidão do Gelo Eterno e Aenir, Terra da criaturas mágicas, surge uma história envolvente. 

Temos um pano de fundo bem estruturado através da complexa sociedade do Castelo. Uma sociedade baseada em cores (espectros luminosos visiveis, sete ao todo) da menor (vermelha) para a maior freqüência (violeta) e o Povo Inferior, que não sabe trabalhar a Luz, estabelecendo assim uma hierarquia social., também temos a complexa rede de Clãs dos Homens-do-Gelo, com suas Donzelas-Guerreiras, Matriarcas e Cavaleiros-da-Espada e Aenir, lar de criaturas fantásticas e imprevisíveis. 

Nesta Obra, temos pelamente explicitada a ambiguidade entre Luz e Sombras. 

O mundo divide-se em O Mundo Escuro (O Castelo e o Gelo) e O Mundo de Luz (Aenir), divididos por um Véu mágico de origem até então desconhecida. 

Para garantir a supremacia dos Escolhidos sobre o Povo Inferior, além de pedras do sol, os Escolhidos também possuem Espíritos-Sombras (criaturas de Aenir aprisionadas através de mágica que ao passarem pelo Véu, transformam-se em Sombras e são obrigadas a obedecerem a seus captores)  

Tudo parece normal até  que Rerem, pai de Tal Graile-Rerem (personagem principal masculino e um dos Escolhidos) desaparece e deixa sua mãe Graile doente e seus dois irmãos menores (Gref e Kusi)  sob sua responsabilidade. 

Sendo uma sociedade baseada em cores, preza-se a perfeita utilização da luz ( e seus espectros) bem como a posse de uma pedra do sol potente (sendo essa pedra a ferramenta utilizada para a geração de luz) e um espírito sombra forte e vigoroso para  proteção. 

Com o desaparecimento de seu pai, Tal se vê em maus lençóis já que juntamente com ele, também desapareceu a pedra do sol da família. Tentando ser responsável Tal decide conseguir uma nova pedra do sol para poder proteger sua mãe e irmãos e poder fazer a passagem para Aenir no Dia da Ascensão, quando conquistará seu Espírito Sombra. Após ser humilhado por parentes, Tal decide que a única maneira de conseguir uma nova pedra do sol é roubando! E as pedras do sol são encontradas acima do Véu. 

Ao tentar escalar umas das Torres do Castelo, Tal vê seu irmão Gref ser aprisionado por um Espírito-Sombra guardião da torre e desiquilibra-se, derrubando algumas pedras do sol e caindo indefinidamente. 

O que poderia ter causado sua morte, acaba levando o garoto ao Gelo, onde encontra Mila (personagem principal feminino e Garota-do-Gelo) que tenta matá-lo. 

Tal não sabia da existência do Povo-do-Gelo, mas eles sabiam da existência do Castelo e do perigo que as Sombras representavam. Para pagar sua dívida ao pouparem-lhe a Vida e levar uma sombra viva ao Gelo, Tal e Mila são enviados em Missão para conseguir pedras do sol para os Clãs dos Homens-do-Gelo. 

A partir daí, surge um respeito insuspeito entre Garota-do-Gelo e Escolhido, modificando suas naturezas. 

 Na busca pelas pedras do sol, descobrem intrigas seculares, a existência de sombras inpedendentes no Castelo, sequestros, crimes, um movimento de guerrilha conhecido como Resistentes junto ao Povo Inferior que não é muito conformado com a situação social atual, perdem suas sombras naturais, são torturados, compartilham a magia da Luz, fazem uma viagem mística a Aenir,descobrem a verdade sobre a origem do Véu e suas próprias origens, combatem o imperador das Sombras e ainda arcam com a responsabilidade de fundar novas bases para seus mundos sem destruí-los. 

Rossana

 

O que nos cabe perguntar é: Será que eles conseguem?

BOA LEITURA E ATÉ O MÊS QUE VEM!

                                   ROSSANA SILVA

BIENAL DO LIVRO DO RIO 2009

•27 setembro, 2009 • 1 Comentário

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A Bienal do Livro do Rio, realizada no período de 10 a 20 de setembro, segundo a empresa organizadora do evento, superou as expectativas e atraiu aproximadamente 640 mil pessoas até o Rio Centro, em Jacarepaguá, na zona oeste carioca, durante os 11 dias em que foi realizada e o faturamento estimado com a venda de livros supera os R$ 51 milhões.

Todos os que visitaram a Bienal saíram do Rio Centro com pelo menos uma obra debaixo do braço, pois várias editoras estavam com promoções atraentes.  A escritora Meg Cabot, autora de “Diário de Princesa” foi a personalidade mais badalada do evento, provocando filas gigantescas de adolescentes em busca de um autografo.

Todavia, a visitação escolar, mesmo com o incentivo da prefeitura do Rio que disponibilizou verba para compra de livros para cada instituição que fosse ao Rio Centro, foi menor do que a Bienal de 2007. Segundo Arthur Repsold, presidente da GL Eventos, o adiamento da volta às aulas por causa da “Gripe Suína” pode ter auxiliado nessa queda.

As novidades da Bienal do livro de 2009 foram muitas, com destaque para a “Floresta de Livros, onde filas enormes de crianças se formaram na entrada para o labirinto de árvores que eram formadas de letras

Um dia na GIZ EDITORIAL durante a BIENAL

No dia 13, dois dos autores que administram o FONTES DA FICÇÃO, J. Modesto e James Andrade, estiveram presentes na estande da GIZ EDITORIAL, autografando seus livros e conversando com os leitores. Destaque também para a escritora Giulia Moon que no dia estava lançando oficialmente seu mais recente livro KAORI – PERFUME DE VAMPIRA, em terras cariocas.

É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. Tal qual ocorreu na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, foto3no ano passado, a Estande da GIZ EDITORIAL tornou-se ponto de encontro dos autores de Literatura Fantástica Nacional. Giulia Moon, J. Modesto, Martha Argel, James Andrade, J.P. Balbino, Gerson J.V.Couto, Leonardo Brum e André Vianco foram alguns  que podiam ser encontrados no espaço da editora.

É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. Os editores da GIZ ficaram tão satisfeitos com os resultados da Bienal que já têm como garantida a participação da editora no evento em 2011. Só pra ter uma idéia, três obras publicadas pela editora tiveram seus exemplares esgotados no primeiro final de semana do evento. AMOR VAMPIRO, de vários autores, TREVAS, de J. Modesto e KAORI – PERFUMECIMG2433 DE VAMPIRA, de Giulia Moon forçaram a responsável pela estande a pedir o desmonte da vitrine para pegar os últimos exemplares dos livros e atender ao público. Nova remessa foi solicitada a São Paulo, onde fica a sede da GIZ, para reposição. Giulia Moon foi a que mais sofreu, pois a sessão de autógrafos, que se iniciou às 16h00, teve que ser suspensa, pois as 18h00 não havia mais nenhum exemplar do livro no estande da editora na Bienal.

foto11Os Guardiões do Tempo, livro de Nelson Magrini, o terceiro administrador do FONTES DA FICÇÃO, lançado recentemente, também foi destaque na editora, com ótimo índice de vendas, o público sempre procurando e perguntando pelo autor que, infelizmente, não pode comparecer ao Rio de Janeiro.

Dois destaques ainda devem ser mencionados. O sucesso de GETSÊMANI – A VERDADE OCULTA, de James Andrade, um livro ainda pouco conhecido do público em geral. O autor fez novos contatos e conversou bastante com os leitores. E por fim, a presença carinhosa de Nana B. – Poetisa, que, em breve, estreará no mundo das letras, com a publicação de seu primeiro livro, FRAGMENTOS – trouxe uma moçada superanimada do Skoob. De fato, aprendemos que, sem dúvida, o carioca ama lefoto7r!

É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.Trouxemos uma quantidade de livros baseada nas vendas que tivemos na Bienal do ano passado, em São Paulo, pois não tínhamos histórico da Bienal do Rio, uma vez que é nossa primeira participação! Pelo que vejo, subestimamos os Cariocas!”, disse o Editor da Giz, Ednei Procópio, exibindo um largo sorriso.